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Este é o trabalho acadêmico de Daniel Carvalho, Eduardo Sartorato, Helen Fernanda e Rafael Carneiro, alunos do 5º período de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás, para a disciplina de Teoria e Método de Pesquisa ministrada pelo professor Luiz Signates, turma do 1º semestre de 2004.

Para a utilização do conteúdo deste site como fonte para outros trabalhos, a única coisa que pedimos é que o endereço pesquisabibliografica.blogspot.com seja citado como fonte de pesquisa para que a autoria seja respeitada.

Introdução

"Sou, por meu gosto pesquisador. Experimento toda a sede de conhecer e a ávida inquietude de progredir, do mesmo modo que a satisfação que toda aquisição proporciona."
Immanuel Kant (1689- 1755)

A pesquisa bibliográfica é o passo inicial na construção efetiva de um protocolo de investigação, quer dizer, após a escolha de um assunto é necessário fazer uma revisão bibliográfica do tema apontado. Essa pesquisa auxilia na escolha de um método mais apropriado, assim como num conhecimento das variáveis e na autenticidade da pesquisa.

Ressaltada a importância da pesquisa bibliográfica na edificação de um projeto de pesquisa, fica claro a pertinência de um trabalho voltado para esse primeiro passo. Assim como as demais etapas do processo investigativo possuem critérios, a pesquisa bibliográfica também os possui. O apontamento destes é um dos objetivos do nosso trabalho.

Um trabalho que tratasse da pesquisa bibliográfica não poderia deixar de conter explanações e estas devem seguir um fluxo que facilite a compreensão e a aplicação. Por esse motivo, abordamos primeiramente o conceito, depois as características e outros mais, até chegarmos ao exemplo, os anexos e a referencia bibliográfica. Tudo uma linguagem acessível visando um entendimento primário sobre como se iniciar a pesquisa desejada.

Acreditamos que neste excerto que se segue o tema foi tratado com desprendimento e liberdade, por isso corremos o risco de sermos taxados de simplórios. Defendemo-nos afirmando que o conteúdo selecionado e redigido foi o que melhor apeteceu aos objetivos do grupo de facilitar a compreensão. Facilitar, pois em muitos casos o pesquisador não sabe o que é pesquisa bibliográfica, ou nem mesmo como começar uma. Nada adianta ter a avidez que Kant menciona sem a sistematização do conhecimento.

Conceito e definição

Na fase inicial de um desenvolvimento de investigação é preciso fazer a pesquisa bibliográfica com o intuito de saber: Saber se alguém já publicou as respostas às questões propostas e decidir se é interessante repetir a investigação com os mesmos objetivos; saber quais os métodos utilizados em investigações similares e averiguar o melhor para ser aplicado; enquadrar o nosso estudo em um modelo de casualidade, diferenciando a variável resposta e as variáveis interferentes, facilitando assim, a identificação dos meios para controlá-las logo no inicio, não deixando que estas confundam nosso resultado.

Sendo assim, uma boa definição do que seria a pesquisa bibliográfica é a busca de uma problematizacão de um projeto de pesquisa a partir de referencias publicadas, analisando e discutindo as contribuições culturais e cientificas. Ela constitui uma excelente técnica para fornecer ao pesquisador a bagagem teórica, de conhecimento, e o treinamento cientifico que habilitam a produção de trabalhos originais e pertinentes.

A consulta de fontes consiste: na identificação das fontes documentais (documentos audiovisuais, documentos cartográficos e documentos textuais), na analise das fontes e no levantamento de informações (reconhecimento das idéias que dão conteúdo semântico ao documento).

Esta última reflete característica importante de um ávido pesquisador em busca de conhecimento: ser um bom leitor. Por essa qualidade entende-se aquele sabe o que deve ler e primeiro plano (documentos gerais ou trabalhos específicos). Ele deve possuir também um bom vocabulário (o que enriquece o futuro texto e desatola a leitura) assim como uma boa capacidade de fixação no texto e do texto. Não podemos nos esquecer que um bom leitor tem uma velocidade adequada à leitura de vários textos.

A leitura deve ser acompanhada de técnicas de armazenamento, a exemplo, o fichamento. Essa técnica de leitura constitui os arquivos específicos para auxiliar na pesquisa sobre o assunto do projeto de pesquisa. As fichas de palavras-chave podem ser de citação/transcrição, onde se extraem trechos citados ou transcritos na fonte documental, colocando a página ou podem ser ficha-resumo, nas quais se resume o conteúdo da fonte documental pesquisada.

Características da pesquisa

  1. Levantamento bibliográfico
  2. Fontes primárias mais utilizadas:

    Documento ou documentação é toda base de conhecimento fixada materialmente e suscetível de ser utilizado para consulta, estudo ou prova. Por vezes, denomina-se também referência, em sentido genérico.

    Bibliografia é a relação de documentos. É o conjunto de impressos bibliográficos reunidos com a finalidade de servirem de fonte de informação.

    Apontamento é qualquer anotação colhida em documentos. Ex.: citações, resumos, esboços, sinopses.

    Referência bibliográfica, stricto sensu, é o conjunto de indicações precisas e minuciosas que permitem a identificação de publicações, no todo ou em partes. Consta, entre outros, do nome do autor, título da obra, notas tipográficas e bibliográficas.

    1. Conhecimento do acervo bibligráfico

      Para realizar o levantamento bibliográfico é necessário inicialmente conhecer os materias de que a biblioteca dispõe, isto é, a documentação.

      Os impressos bibliográficos podem ser compostos de tratados completos, de ensaios e estudos, em forma de artigos escritos ou de conferências pronunciadas, e de monografias, em forma de dissertação ou teses.

      Se o estudioso necessita de um tratado completo, procura um livro; se necessita de um estudo atualizado ou recente, procura um artigo em revista; se necessita de conhecimentos gerais e básicos, vai aos dicionários ou enciclopédias; se precisa de notícias, crônicas ou comentários breves de fatos ou acontecimentos diários, procura a seção de jornais.

      Os documentos podem referir-se a fatos, pessoas ou coisas, apresentando dados, isto é, informações ou afirmações. As informações dão a conhecer a realidade sem emitir qualquer julgamento. As afirmações ou proposições explicam a realidade, emitindo juízos ou opiniões.

      Quanto ao estilo, a redação dos documentos pode ser literária ou científica. Esta preocupa-se com a objetividade e a exatidão para comunicar racionalmente informações e julgamentos; aquela preocupa-se com a subjetividade e a elegância.

      Quanto à sua natureza, os documentos podem ser primários ou de primeira mão e secundários ou de segunda mão e secundários ou de segunda mão. Em se tratando de pesquisa bibliográfica, entende-se por documento primário a própria fonte original. Chama-se simplesmente fonte, isto é, todo e qualquer documento ligado diretamente ao objeto estudado. Os documentos secundários são os que trazem informações que eles mesmos colheram em fontes. Chamam-se trabalhos, ou seja, todo e qualquer estudo científico elaborado a partir das fontes.

      Sempre que possível, deve-se lançar mão dos documentos primários. A documentação secundária só pode ser usada quando não se dispõe de fontes ou elas nos são inacessíveis. Um estudo feito sobre trabalhos em nada contribui para o progresso das ciências, porquanto limita-se a repetir os resultados alcançados. São meros estudos recapitulativos.

      Livros

      Para fins de catalogação, um livro é qualquer publicação independente, tratado e catalogado como uma unidade autônoma. Com referência ao conteúdo, um livro distingue-se por duas características: "A extensão do livro permite-lhe abordar o tema de maneira a esgotar o assunto e, em segundo lugar, o enfoque é geralmente mais conservador, mais meditado e com uma persepectiva mais clara das matérias importantes que se relacionam entre si".

      Um livro é, pois, uma publicação independente que trata em profundidade e em extensão de um tema bem meditado e de todos os aspectos que a ele se relacionam. O livro distingue-se do folheto. Mas a distinção consiste apenas no número de páginas. Nas bibliotecas brasileiras folheto é a publicação que contém até cem páginas, mas a Unesco propôs o limite de 48 páginas de conteúdo propriamente dito.

      Há livros da mais variadas categorias. Tendo em vista o modo de usar, dividem-se em livros de leitura corrente e livros de consulta, ou de referência.

      1. Livros de leitura corrente

        Os livros de leitura corrente compreendem, além das obras literárias, designadas pelos seus gêneros (romance, poesia, teatro, etc...), as obras de divulgação, isto é, as que objetivam fazer chegar ao conhecimento do público informações científicas e técnicas.

        As obras de divulgação, por sua vez dividem-se em obras científicas ou técnicas e em obras de vulgarização. Um livro é uma obra propriamente científica ou técnica quando quando a intenção do autor é comunicar aos especialistas, na forma metodológica apropriada à matéria, o objeto e o resultado de pesquisas de natureza científica ou técnica. Tal como a ciência, o livro científico é um publicação sistemática e metódica dos princípios e leis, causas e efeitos de um determinado campo do saber. Empregam a linguagem própria da ciência, entendida somente pelos iniciados. Expõem os resultados de pesquisas, seguindo rigorosamente as normas estabelecidas para divulgação científica.

        As obras de vulgarização destinam-se a um público não especializado na matéria que apresenta. Visam a linguagem acessível e comum. A maioria dos livros que propõem a ciência e a técnica ao alcance do grande público, com bibliotecas públicas, enquadram-se entre as obras de vulgarização. Estas obras dividem-se ainda em didáticas e populares.

        As obras didáticas dirigem-se ao público escolar e obedecem aos programas oficiais de estudo e ao nível dos cursos a que querem servir. Os principais livros didáticos são os manuais.

        As obras de vulgarização populares destinam-se ao público em geral, já que apresentam o conhecimento num conjunto sistemático, visando a dar uma visão completa de uma ciência ou de um assunto, em linguagem menos técnica do que a das obras científicas e mais livre e informal do que a dos manuais na forma de tratados.

      2. Livros de referência

        Os livros de referência ou de consulta são os livros que nos mantém atualizados sobre as obras que se escrevem e se publicam. Os livros de consulta podem ser classificados em dois tipos principais: os de referência informativa, que contêm a informação que se busca, e os de referência remissiva, que remetem a outras fontes. Os principais livros de referência infomativa são dicionários, enciclopédias, anuários e almanaques. A principal referência remissiva é o catálogo. As mais importantes espécies de catálogo são: sistemático ou metódico, no qual os livros estão dispostos segundo as relações científicas e lógicas de seu conteúdo; alfabético por autores; alfabético por assunto e dicionário, que é uma combinação de todos os catálogos alfabéticos.

      Periódicos

      Publicações periódicas que são editadas em fascículos, a intervalos regulares ou irregulares, por tempo ilimitado que tratam de assuntos diversos, mas dentro dos limites de um programa definido.

      1. Jornal

        Publicação periódica destinada às notícias de interesse público. Os jornais são documentação essencial, já que muitos fatos só nos são acessíveis pela imprensa jornalística. Eles são divididos em seções e narram o desenrolar dos fatos. Os jornais distinguem-se em gerais e especializados. Na imprensa geral estão os jornais, diários ou não que visam ao conjunto do público, pode ser divida em três categorias principais imprensa nacional e imprensa local; imprensa de opinião e imprensa de informação e imprensa diária, semanal, mensal. A imprensa especializada pode ser de público especializado ou de objetivo especializado.

      2. Revistas

        As revistas constituem um meio de informação constante e regular para tudo o que se relaciona com o campo científico. É uma publicação periódica mais recente que o jornal e seu surgimento resultou de uma diferenciação nas exigências do público que pedia uma imprensa menos sujeita às contigências da rapidez e mais adequadas para refletir os diferentes aspectos da vida cultural e atender a certos interesses científicos. Atualmente as revistas se diversificaram para atender aos diversos interesses e leitores.

        Nas revistas predominam os artigos, mas também são incluídos estudos críticos, recensões, boletins, crônicas, reportagens, e às vezes, uma relação de bibliografia corrente.

        O artigo, estudo menos extenso que um livro, é o meio mais indicado na descrição de investigações em curso e apresentação de seus resultados, para propor uma teoria, provocar uma troca de impressões, etc.

        A recensão anuncia uma obra recentemente aparecida, com indicação de seu conteúdo e importância, acompanhada de uma motivada apreciação. Às vezes toma a forma de estudos críticos nos quais se analisa o conteúdo da obra apresentada.

        O boletim passa os principais trabalhos realizados em determinado ramo da ciência durante os últimos meses.

        A crônica assinala os acontecimentos da vida científica corrente.

    2. Organização das bibliotecas

      Ao entrar numa biblioteca o livro é tombado, ou seja, são registradas todas as informações a ele referentes. O livro recebe o número de tombo, que corresponde ao número de ordem de chegada, e o número de chamada, conjunto constituído do número de classificação e da identificação. Em seguida o livro é classificado, individualizado e catalogado.

    3. Elaboração de uma bibliografia

      A bibliografia pode ser distingüida em dois tipos: seletiva e exaustiva. A primeira é a bibliografia básica e sua seleção depende diretamente dos propósitos que se têm de vista. Já a bibliografia exaustiva tem a finalidade de oferecer uma lista completa de todas as referências que possuam alguma relação com o assunto focalizado incluindo livros e publicações periódicas, de idioma nacional ou estrangeiro, clássicas e recentes.

  3. Levantamento das soluções

    O estudo da documentação selecionada é feito através da leitura dos impressos bibliográficos e da tomada de apontamentos.

    1. Processos de leitura de impressos bibliográficos :

      Para que a leitura da documentação não se torne um passatempo dispersivo ou uma leitura distrativa é condição indispensável ter bem presente na mente uma pergunta a responder, uma questão para resolver ou uma informação a obter. Essa leitura, chamada informativa científica, tem três objetivos principais:

      • constatar as informações dadas pelo autor,
      • relacionar essas informações com os problemas para os quais se procura solução e
      • analisar os fundamentos de verdade nas afirmações oferecidas.

      Para atingir seus objetivos a leitura informativa científica deve ser realizada em fases complementares:

      • leitura de reconhecimento
      • leitura exploratória
      • leitura seletiva
      • leitura reflexiva
      • leitura interpretativa

      A leitura de reconhecimento é rápida e visa a certificar-se da existência ou não das informações de que se está à procura.

      A leitura exploratória serve para que, depois da certificação da existência das informações procuradas, saiba-se onde elas estão e se correspondem ao que prometem. A leitura seletiva é feita para que, dentre o material coletado, seja escolhido o melhor, de acordo com o propósito do trabalho e os critérios do pesquisador.

      A leitura reflexiva é o estudo crítico da documentação selecionada e sua finalidade é a elaboração de uma síntese que integre todos os dados e informações do autor do texto analisado.

      A leitura interpretativa é a última etapa da leitura informativa e dever ser feita de acordo com os fins pesquisador.

    2. Tomada de apontamentos

      Ordem de procedimentos:

      • partir da colocação de um problema;
      • tomar notas somente de ler criticamente todo o texto;
      • escrever as anotações em fixas;
      • classificar e catalogar as anotações.

      Características de um bom apontamento:

      • não deixar dúvida sobre seu significado;
      • possuir todos os dados necessários para voltar à sua fonte original;
      • ter um encabeçamento bem definido;
      • ser feito com o pensamento de que o material será incorporado no trabalho.
  4. Técnica de confecção de fichas

    Distingui-se dois tipos de fichas: a ficha bibliográfica ou recensão, para anotar as referências bibliográficas, e ficha de documentação ou de apontamentos, para recolher a exposição de idéias, hipóteses, doutrinas, cópias de textos, etc.

    Os tamanhos universais de fichas são:

    Tipo grande 12,5 cm × 20 cm
    Tipo médio 10 cm × 15 cm
    Tipo pequeno 7,5 cm × 12,5 cm
    1. Composição das fichas
    2. Cabeçalho ou titulação
      Compreende o título genérico próximo, o título específico e o número de classificação da ficha. Estes elementos são escritos na parte superior da ficha em três quadros: no quadro à esquerda coloca-se o título genérico; no quadro do centro, o título específico; e no da direita, o número de classificação.
      Referências bibliográficas
      É a transcrição da ficha matriz encontrada nas bibliotecas.
      Corpo das fichas
      Nas fichas bibliográficas o texto é constituído pelos comentários; nas fichas de apontamento o corpo é constituído pelas citações, resumos e observações pessoais.
      1. Comentários nas fichas bibliográficas

        O comentário pode referir-se a todos ou a alguns dos seguintes aspectos:

        • o campo do saber que é abordado;
        • problemas significativos trabalhados;
        • contribuições especiais em relação a outras obras ou em relação ao assunto do trabalho;
        • conclusões alcançadas;
        • fonte dos dados contidos no escrito que podem ser: literatura existente; estatísticas; observação pessoal do autor; entrevistas questionários; documentos públicos, etc...
        • métodos empregados pelo autor, como: estatístico, comparativo, descritivo, filosófico, experimental, analítico, histórico, jurídico-legal;
        • modalidade empregada pelo autor, como: geral, intensiva, técnica, específica, extensiva, não-técnica.
      2. O texto das fichas de apontamentos

        Um apontamento pode ser uma citação formal, um resumo ou anotação pessoal.

        1. A citação formal é uma transcrição do pensamento do autor com todas as palavras e erros gramaticais, se houver, e deve vir sempre entre aspas.
        2. O resumo é uma expressão abreviada do pensamento do autor e pode assumir a forma de esboço (esquema) e de sumário (sinopse). Um esboço é um resumo que acompanha a mesma estrutura de exposição seguido pelo autor. Um sumário é um resumo de um texto sem obedecer à sua estrutura original, é a ordenação sucinta das idéias principais esparsas pelo texto.
        3. Anotações pessoais são idéias e comentários próprios sugeridos por uma leitura ou resultados de uma reflexão pessoal. Essas anotações aparecem sempre entre parênteses.
      3. Indicação de páginas

        Os apontamentos precisam vir acompanhados das páginas de onde foram retirados. Traça-se uma linha vertical na margem esquerda de cada ficha, deixando espaço conveniente. Escreve-se o número de cada página na primeira linha de anotações daquela página, não havendo necessidade de utilizar a abreviação p. Deste modo se saberá exatamente de onde os apontamentos foram tirados.

    3. Características das fichas de apontamento
      1. Cada ficha de apontamento deve constituir-se numa unidade intelectual e física autônoma que seja manejável dentro do conjunto do material. Em cada ficha anotam-se as informações sobre um único assunto completo, de um único autor, encontradas em um único livro. Um assunto não deve ocupar várias fichas e uma ficha não deve comportar vários assuntos.
      2. A ficha de apontamentos deve ser íntegra, contendo o texto e o contexto de um dado completo, com todos os elementos necessários para a conservação de seu autêntico sentido.
      3. A ficha de apontamentos deve ser exata, a transcrição de documentos deve ser fiel.
      4. A ficha de apontamentos deve ser precisa na indicação bibliográfica, indicando a fonte de que procede o dado ou o texto de tal maneira que seja facilmente identificável.
    4. Classificação das fichas

      Classificar fichas consiste em colocá-las umas após outras, constituindo grupos naturais onde as questões semelhantes estejam próximas quanto possível.

      Sistemas de classificação

      1. Sistema alfabético puro

        Em cada ficha destaca-se a palavra principal que determina a natureza da matéria e de acordo com a palavra coloca-se a ficha na letra correspondente do alfabeto.

      2. Sistema alfabético reduzido

        Limita-se o número de seções básicas e as distribui em subsecções subordinadas. Assim seriam selecionadas palavras-chaves ou cabeçalhos da especialidade ou do trabalho sob as quais seriam colocados todos os assuntos direta ou indiretamente a elas relacionados. As palavras-chaves seriam colocadas em ordem alfabética, mas não as palavras subordinadas.

      3. Sistema decimal universal

        Utiliza-se o sistema decima universal empregado nas bibliotecas para a classificação de impressos bibliográficos.

      4. Sistema decimal reduzido
      5. Distribuem-se os capítulos em número de 10, correspondendo o primeiro a todas as generalidades sob o algarismo 0. Os capítulos muito extensos e densos de matéria são subdividido, os capítulos mais breves e pouco densos são agrupados sob um título mais geral, de forma que ao todo se façam nove capítulos, mais as generalidades. Em seguida os capítulos fundamentais são subdivididos em número de nove mais as generalidades, formando as dezenas e, depois, as centenas, e assim sucessivamente. Inicialmente são suficiente duas ou três seções decimais. As especificações iniciam-se quando se procede a estudos específicos de cada uma das partes do trabalho ou da especialidade.

Limites do método

Muitas vezes as fontes secundárias apresentam dados coletados ou processados de forma errada, assim um trabalho fundamentado nelas tende a reproduzir ou mesmo ampliar esses erros. Por isso convém aos pesquisadores assegurarem-se das condições em que os dados foram obtidos, analisar em profundidade cada informação para descobrir possíveis incoerências ou contradições e utilizar fontes diversas, comparando-as cuidadosamente.

Comparação com outros dois métodos

A pesquisa bibliográfica é fundamentada nos conhecimentos de biblioteconomia, documentação e bibliografia; sua finalidade é colocar o pesquisador em contato com o que já se produziu e registrou a respeito do seu tema de pesquisa.

A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Esta vantagem se torna particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço. Além disso a pesquisa bibliográfica é indispensável para a realização de estudos históricos

O ponto negativo deste método é porque muitas vezes são encontrados dados equivocados, ou processados erroneamente. Por causa disso é necessário que o pesquisador esteja atento para não acreditar em informações erradas e sempre buscar o maior número de fontes possíveis.

Já na entrevista temos como vantagens a presença da fonte, que acaba gerando uma maior flexibilidade na hora da coleta de dados. Por ser a fonte uma pessoa, e não um livro como na pesquisa bibliográfica, o pesquisador tem a possibilidade de verificar as discordâncias, além de avaliar as atitudes comportamentais do entrevistado. Isso acaba gerando uma investigação mais ampla com dados quantificados.

A desvantagem é que vários fatores contribuem para a deformação das informações. A dificuldade de expressão é um dos pontos fracos deste método. Além disso sempre há a hipótese do pesquisador interpretar errado aquilo que a fonte fala. A influência que o pesquisador passa ao entrevistado também gera modificações nos resultados. E nunca se sabe qual será o humor do entrevistado, o que pode fazer com que uma bela fonte não passe nada importante. Todas estas desvantagens são típicas de fontes dinâmicas, como pessoas. Isso já não ocorre com fontes estáticas, como os livros da pesquisa bibliográfica.

Em uma pesquisa documental a vantagem principal são os baixos custos. Diferentemente dos outros métodos, neste o pesquisador necessita praticamente só do tempo. Além disso os documentos surgem como uma fonte rica e estável de dados, além de ter a vantagem de não exigir contatos com o sujeito da pesquisa. Esta última é o grande problema da entrevista, e não influi também na pesquisa bibliográfica.

Mas os documentos geralmente não têm representatividade, além da subjetividade. Os pesquisadores mais experientes garantem a representatividade selecionando alguns documentos, dentro de um grande número deles, aleatoriamente. Já o problema da objetividade já é mais complexo. Por isso é importante que o pesquisador considere as mais diversas implicações relativas aos documentos ontes de formular uma conclusão definitiva.

Exemplo analisado

A pesquisa bibliográfica bem feita depende de uma metodologia que saiba aplicar a leitura dos objetos de estudo ao trabalho desejado. Para isso, há a necessidade de se conhecer as características da pesquisa bibliográfica e seus possíveis métodos de desenvolvimento.

O conhecimento desses tópicos já poderá implicar em uma satisfatória primeira fase de construção de um trabalho acadêmico. Tendo esse trabalho específico já discorrido sobre características e métodos, agora faz-se necessária uma simulação de desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica.

Suponhamos que a temática dessa pesquisa seja sobre a relação entre os grupos de forte poder econômico e o rádio-jornalismo.

Além do método de entrevista que aplicaremos a donos de rádios de alcances dos mais diversos, e a seus patrocinadores e ouvintes, organizaremos também uma bibliografia satisfatória, após o conhecimento do acervo bibliográfico.

Durante o levantamento bibliográfico, selecionamos os seguintes livros, tendo em consideração que pretendemos elaborar uma bibliografia básica e seletiva: A informação no rádio, de Gisela Ortriwano; O controle da informação no Brasil, de Antonio Costella, Por trás das ondas da Rádio Nacional, de Miriam Goldfeder; Ideologia e técnica da notícia, de Nilson Lage e O poder da informação, de Jean-Louis Servan-Schreiber.

A fase seguinte terá a preocupação voltada para uma leitura cuidadosa dos impressos bibliográficos. A leitura informativa científica procurará reconhecer as informações sobre o funcionamento do rádio-jornalismo afetado por grupos economicamente fortes, relacioná-las com os problemas propostos pelo trabalho e, finalmente, analisar os fundamentos de verdade nas afirmações oferecidas.

A partir daí poderemos construir sistematicamente, por meio de apontamentos e fichas, comentários, citações, resumos e observações pessoais úteis para o desenvolvimento do trabalho acadêmico.