Conhecimento do acervo bibligráfico
Para realizar o levantamento bibliográfico é necessário inicialmente conhecer os materias de que a biblioteca dispõe, isto é, a documentação.
Os impressos bibliográficos podem ser compostos de tratados completos, de ensaios e estudos, em forma de artigos escritos ou de conferências pronunciadas, e de monografias, em forma de dissertação ou teses.
Se o estudioso necessita de um tratado completo, procura um livro; se necessita de um estudo atualizado ou recente, procura um artigo em revista; se necessita de conhecimentos gerais e básicos, vai aos dicionários ou enciclopédias; se precisa de notícias, crônicas ou comentários breves de fatos ou acontecimentos diários, procura a seção de jornais.
Os documentos podem referir-se a fatos, pessoas ou coisas, apresentando dados, isto é, informações ou afirmações. As informações dão a conhecer a realidade sem emitir qualquer julgamento. As afirmações ou proposições explicam a realidade, emitindo juízos ou opiniões.
Quanto ao estilo, a redação dos documentos pode ser literária ou científica. Esta preocupa-se com a objetividade e a exatidão para comunicar racionalmente informações e julgamentos; aquela preocupa-se com a subjetividade e a elegância.
Quanto à sua natureza, os documentos podem ser primários ou de primeira mão e secundários ou de segunda mão e secundários ou de segunda mão. Em se tratando de pesquisa bibliográfica, entende-se por documento primário a própria fonte original. Chama-se simplesmente fonte, isto é, todo e qualquer documento ligado diretamente ao objeto estudado. Os documentos secundários são os que trazem informações que eles mesmos colheram em fontes. Chamam-se trabalhos, ou seja, todo e qualquer estudo científico elaborado a partir das fontes.
Sempre que possível, deve-se lançar mão dos documentos primários. A documentação secundária só pode ser usada quando não se dispõe de fontes ou elas nos são inacessíveis. Um estudo feito sobre trabalhos em nada contribui para o progresso das ciências, porquanto limita-se a repetir os resultados alcançados. São meros estudos recapitulativos.
Livros
Para fins de catalogação, um livro é qualquer publicação independente, tratado e catalogado como uma unidade autônoma. Com referência ao conteúdo, um livro distingue-se por duas características: "A extensão do livro permite-lhe abordar o tema de maneira a esgotar o assunto e, em segundo lugar, o enfoque é geralmente mais conservador, mais meditado e com uma persepectiva mais clara das matérias importantes que se relacionam entre si".
Um livro é, pois, uma publicação independente que trata em profundidade e em extensão de um tema bem meditado e de todos os aspectos que a ele se relacionam. O livro distingue-se do folheto. Mas a distinção consiste apenas no número de páginas. Nas bibliotecas brasileiras folheto é a publicação que contém até cem páginas, mas a Unesco propôs o limite de 48 páginas de conteúdo propriamente dito.
Há livros da mais variadas categorias. Tendo em vista o modo de usar, dividem-se em livros de leitura corrente e livros de consulta, ou de referência.
- Livros de leitura corrente
Os livros de leitura corrente compreendem, além das obras literárias, designadas pelos seus gêneros (romance, poesia, teatro, etc...), as obras de divulgação, isto é, as que objetivam fazer chegar ao conhecimento do público informações científicas e técnicas.
As obras de divulgação, por sua vez dividem-se em obras científicas ou técnicas e em obras de vulgarização. Um livro é uma obra propriamente científica ou técnica quando quando a intenção do autor é comunicar aos especialistas, na forma metodológica apropriada à matéria, o objeto e o resultado de pesquisas de natureza científica ou técnica. Tal como a ciência, o livro científico é um publicação sistemática e metódica dos princípios e leis, causas e efeitos de um determinado campo do saber. Empregam a linguagem própria da ciência, entendida somente pelos iniciados. Expõem os resultados de pesquisas, seguindo rigorosamente as normas estabelecidas para divulgação científica.
As obras de vulgarização destinam-se a um público não especializado na matéria que apresenta. Visam a linguagem acessível e comum. A maioria dos livros que propõem a ciência e a técnica ao alcance do grande público, com bibliotecas públicas, enquadram-se entre as obras de vulgarização. Estas obras dividem-se ainda em didáticas e populares.
As obras didáticas dirigem-se ao público escolar e obedecem aos programas oficiais de estudo e ao nível dos cursos a que querem servir. Os principais livros didáticos são os manuais.
As obras de vulgarização populares destinam-se ao público em geral, já que apresentam o conhecimento num conjunto sistemático, visando a dar uma visão completa de uma ciência ou de um assunto, em linguagem menos técnica do que a das obras científicas e mais livre e informal do que a dos manuais na forma de tratados.
- Livros de referência
Os livros de referência ou de consulta são os livros que nos mantém atualizados sobre as obras que se escrevem e se publicam. Os livros de consulta podem ser classificados em dois tipos principais: os de referência informativa, que contêm a informação que se busca, e os de referência remissiva, que remetem a outras fontes. Os principais livros de referência infomativa são dicionários, enciclopédias, anuários e almanaques. A principal referência remissiva é o catálogo. As mais importantes espécies de catálogo são: sistemático ou metódico, no qual os livros estão dispostos segundo as relações científicas e lógicas de seu conteúdo; alfabético por autores; alfabético por assunto e dicionário, que é uma combinação de todos os catálogos alfabéticos.
Periódicos
Publicações periódicas que são editadas em fascículos, a intervalos regulares ou irregulares, por tempo ilimitado que tratam de assuntos diversos, mas dentro dos limites de um programa definido.
- Jornal
Publicação periódica destinada às notícias de interesse público. Os jornais são documentação essencial, já que muitos fatos só nos são acessíveis pela imprensa jornalística. Eles são divididos em seções e narram o desenrolar dos fatos. Os jornais distinguem-se em gerais e especializados. Na imprensa geral estão os jornais, diários ou não que visam ao conjunto do público, pode ser divida em três categorias principais imprensa nacional e imprensa local; imprensa de opinião e imprensa de informação e imprensa diária, semanal, mensal. A imprensa especializada pode ser de público especializado ou de objetivo especializado.
- Revistas
As revistas constituem um meio de informação constante e regular para tudo o que se relaciona com o campo científico. É uma publicação periódica mais recente que o jornal e seu surgimento resultou de uma diferenciação nas exigências do público que pedia uma imprensa menos sujeita às contigências da rapidez e mais adequadas para refletir os diferentes aspectos da vida cultural e atender a certos interesses científicos. Atualmente as revistas se diversificaram para atender aos diversos interesses e leitores.
Nas revistas predominam os artigos, mas também são incluídos estudos críticos, recensões, boletins, crônicas, reportagens, e às vezes, uma relação de bibliografia corrente.
O artigo, estudo menos extenso que um livro, é o meio mais indicado na descrição de investigações em curso e apresentação de seus resultados, para propor uma teoria, provocar uma troca de impressões, etc.
A recensão anuncia uma obra recentemente aparecida, com indicação de seu conteúdo e importância, acompanhada de uma motivada apreciação. Às vezes toma a forma de estudos críticos nos quais se analisa o conteúdo da obra apresentada.
O boletim passa os principais trabalhos realizados em determinado ramo da ciência durante os últimos meses.
A crônica assinala os acontecimentos da vida científica corrente.